O Clube de Roma celebra o aniversário de “Os limites do Crescimento”

O Clube de Roma celebra o aniversário de “Os limites do Crescimento”

Washington, DC / Winterthur Hoje (1° de março de 2012) se cumpre o 40º aniversário de uma advertência ignorada pela comunidade mundial. “Os Limites do Crescimento” foi uma das primeiras “Advertências Globais” reais. Reclamava atenção urgente e propiciava o debate sobre o futuro da humanidade no mundo. Mencionava que, em caso de excedermos a capacidade mundial de utilização de recursos e geração de emanações, estaríamos limitando, de forma significativa, o desenvolvimento econômico global no século 21. Talvez possamos consumir mais, mas desfrutaremos menos.

Nesse contexto, os atuais debates sobre o aquecimento global, o esgotamento dos recursos e os ciclos de respostas do meio ambiente se transformaram no eco de um ultrapassado processo que durou quarenta anos. O Clube de Roma nos convida a reconsiderar as consequências e a rever os pormenorizados fundamentos apresentados posteriormente pela ciência, que confirmam essas Advertências Globais, enquanto os processos políticos conseguiram neutralizar as medidas de prevenção, e nos deixaram livres para a urgente necessidade de adotar políticas de mitigação e adequação.

“Os Limites do Crescimento” foi publicado em 1972 por uma equipe de pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT, na sigla em inglês): Donella Meadows, Dennis Meadows, Jørgen Randers e William Behrens III. O documento informava sobre os resultados de um estudo encomendado por um grupo de intelectuais que criaram, alguns anos antes, o Clube de Roma.

O informe foi apresentado em 1° de março de 1972, durante una reunião realizada no Smithsonian Institution, em Washington DC. A melhor forma de descrever o impacto internacional causado pela publicação em termos políticos, econômicos e científicos, é compará-la ao “Big Bang”. Nesse evento, apresentavam-se as contradições demonstradas pelo crescimento ilimitado e sem restrições do consumo de materiais em um mundo de recursos claramente finitos, e levou essa questão a ser uma prioridade na agenda global.

O informe advertia que os problemas poderiam aumentar a grande escala, e que a humanidade deveria realizar esforços tão grandes para resolvê-los que culminaria com a degradação da qualidade de vida. Especialmente, o informe demonstrava que, caso fossem mantidas as taxas de crescimento registradas entre 1900 e 1972, a humanidade poderia superar os limites planetários em algum momento entre os anos 2000 e 2100.

“O informe ‘Os Limites do Crescimento’ do Clube de Roma teve a ousadia de quebrar as convenções: sugeria que o crescimento do consumo de materiais seria o próprio problema. O informe revelava uma simples verdade que ignorada em grande medida durante as últimas quatro décadas”, mencionou Ian Johnson, Secretário-geral do Clube de Roma.

Este best-seller global, finalmente publicado em 30 línguas e com mais de 30 milhões de cópias vendidas, não fazia “predições” propriamente ditas, mas esboçava possíveis situações que descreviam o dano que as altas taxas de crescimento econômico, o esgotamento dos recursos e a destruição do meio ambiente causariam no planeta.

De fato, poucos livros deixaram marcas tão profundas na sociedade como “Os Limites do Crescimento”, e poucos foram tão sistematicamente mal interpretados e condenados, especialmente por aqueles cujos interesses estavam ameaçados.

Em 1972, a economia estava no auge, a vida parecia sorrir, e o livro contrastava com a sensação de otimismo reinante nesse momento. Mas, infelizmente, a mensagem de “Os Limites do Crescimento” está hoje mais vigente do que nunca, e não restam dúvidas de que o mundo atravessou e continuará atravessando os limites planetários. As consequências visíveis são o conjunto de crises enfrentadas pela sociedade mundial e que observamos atualmente.

“Os Limites do Crescimento” observava que era possível alterar as tendências de crescimento e estabelecer condições para viver em um mundo mais equitativo e desejável, capaz de produzir estabilidade, sustentabilidade e equilíbrio global. O principal desafio que devemos enfrentar hoje não é somente se podemos avançar para um estilo de vida global que possa cingir-se aos limites do planeta, mas de que forma podemos progredir.

Entretanto, desde a publicação de “Os Limites do Crescimento” a humanidade tem perdido quatro décadas. Nesse tempo, teria sido possível tomar providências para construir novas formas de gerar crescimento econômico, alinhadas com os requerimentos de um mundo sustentável e equitativo.

O Clube de Roma tem como base o trabalho pioneiro realizado durante os últimos quarenta anos, e dá uma olhada nos próximos quarenta anos a fim de encontrar respostas para o interrogante “O que devemos fazer entre hoje e meados do século XXI para colocar o planeta em um caminho novo e estável, rumo a um mundo sustentável e equitativo, capaz de prosperar dentro dos limites de um planeta finito?”

Como parte desta travessia intelectual, o Clube de Roma publicará no mês de maio de 2012 um novo informe com o título “2052”. Este informe foi elaborado por Jørgen Randers, coautor de “Os Limites do Crescimento”, e inclui informações sobre o estado até 2012 e uma projeção do desenvolvimento global para os próximos quarenta anos.

Para celebrar o 40º aniversário da publicação de “Os Limites do Crescimento”, em 1° de março de 2012 se realizará o simpósio “Perspectives on Limits to Growth: Challenges to Building a Sustainable Planet” (Perspectivas sobre os Limites do Crescimento: os Desafios para Criar um Planeta Sustentável) em Washington, DC, organizado pelo Clube de Roma e o Consórcio do Smithsonian Institution, para entender e apoiar a biodiversidade do planeta. O simpósio será retransmitido no site do Clube de Roma na web: www.clubofrome.org

Para mais informações

Poucos críticos parecem realmente ter lido “Os Limites do Crescimento”, pois repetem mal-entendidos e falsas afirmações. É uma verdadeira pena, porque as mensagens do informe adquirem hoje mais relevância do que nunca, e permitem compreender totalmente os problemas sistêmicos enfrentados pela humanidade em nossos dias, e as soluções necessárias para contra-arrestar essas questões.

O site do Clube de Roma na web conta com várias ferramentas que auxiliam na compreensão do documento “What Limits to Growth Really Says” (O que “Os Limites do Crescimento” expressa realmente):

  • Sobre a celebração do 40º aniversário da publicação original de Os Limites do Crescimento no Smithsonian Institution, em Washington DC: http://www.clubofrome.org/?p=3392
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