I Fórum Extraordinário: A perfeição da democracia

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I Fórum Extraordinário: A perfeição da democracia

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Estado do Fórum

Tema: aberto
Concurso: finalizado

 

 

Data da realização

O concurso realizou-se nos dias 10 e 11 de Março de 2012.

 

Apresentação premiada

DENIS

Muitos acreditamos que um sistema inteligente só é possível se existir um robusto organismo central dotado de consciência e poder. Nas sociedades modernas este organismo é o Governo. Mas, paradoxalmente ao seu objectivo de gerar soluções óptimas, a concentração de poder em organismos centrais cria outros problemas ainda mais complexos, que o mesmo sistema político não pode resolver.

Nos seus primórdios a democracia na Grécia e em particular em Atenas, teve a ideia original de que a titularidade do poder não se concentrasse em poucas mãos, mas que residisse em todos os cidadãos. Com o crescer das cidades-estado a democracia directa foi-se tornando inviável devido à incapacidade de organização do sistema para poder processar e interagir com os diversos juízos de uma vasta população, para além dos problemas económicos que implicava para a sociedade o transporte físico dos cidadãos para a assembleia. Obviamente a democracia representativa nos estados modernos não se parece em nada com os inícios da democracia em Atenas; o que chamamos voto popular na eleição dos “nossos representantes”, para muitos é só um consolo de já não ter poder nas decisões do estado. A concentração de poder num organismo planificador parece uma solução fatalista nas sociedades modernas. Mas será possível organizar a sociedade sem um poder central planificador?

É uma pergunta bastante complexa, mas alguns campos do conhecimento do homem como a biologia e a robótica foram avançando indirectamente. A biologia tratou de explicar como os insectos tão limitados cognitivamente como a formiga ou a abelha podem ser tão complexos e inteligentes enquanto colectivo. A robótica desenvolveu novas ideias de inteligência artificial ao tomar como exemplo estes modelos de inteligência colectiva da biologia. Mas o que tem a ver isto tudo com a política e a democracia? Muito e o seu potencial é incrível.

Imaginemos o cérebro humano, este está composto por milhões de neurónios que individualmente não são inteligentes; no entanto, o nosso cérebro é, o que lhe dá qualidades complexas são os milhões de interacções dos neurónios como conjunto e os processos que desenvolvem sob um sistema de informação. As sociedades têm estruturas equivalentes. Uma pessoa não pode incorporar todo o conhecimento existente e por isso especializa-se num campo, quer dizer, cada pessoa tem um conhecimento segmentado do todo, e isto faz com que seja dependente dos demais para encontrar soluções para os problemas complexos. Daí a diferença dos tempos da Grécia, hoje a tecnologia das comunicações pode solucionar antigos problemas da democracia directa. E não só a tecnologia mas também os conhecimentos sobre inteligência colectiva e sistemas de informação. A ideia é criar uma plataforma avançada com um algoritmo complexo que possa ser o sistema nervoso da interacção de milhões de indivíduos da sociedade em busca de soluções para os problemas reais. Este algoritmo complexo é um programa que tem instruções bem planificadas sobre o que fazer para a óptima interacção do conhecimento interdisciplinar. As vantagens e implicações sociais deste sistema relativamente ao sistema político actual são múltiplas, mas isto seria motivo para um ensaio mais complexo que não se pode realizar com esta curta reflexão. Um deles é que o sistema será evolutivo porque se apresentará a si mesmo como problema e será reestruturado tornando-se cada vez mais eficiente. 

Agradecimento

O Capítulo Argentino do Clube de Roma quer expressar, antes de mais, o seu agradecimento a quem participou activamente nesta primeira sessão do Fórum Extraordinário e também a quem assistiu ao seu desenvolvimento.

Nesta ocasião, as apresentações foram três, todas portadoras de ideias e reflexões que merecem ser consideradas em programas de investigação sobre sistemas mais modernos, mais conscientes e mais pacíficos.

O júri considera que as três contêm elementos éticos, intelectuais e culturais valiosos, pelo que felicita os autores.

Apresentamos de seguida os seguintes comentários a cada uma das exposições.

 

Denis

O vertiginoso avanço da tecnologia, e em particular das tecnologias da comunicação, torna oportuna a pergunta sobre a reformulação das bases da participação no sistema democrático.

O sistema representativo é uma parte fundamental da engrenagem que possibilita o funcionamento dos sistemas democráticos actuais. A impossibilidade ou dificuldade da participação massiva directa nos assuntos públicos é uma das razões pelas quais o sistema representativo se torna necessário para o funcionamento da democracia.

No entanto, o ideal de participação directa de todos os indivíduos nos assuntos públicos e na tomada de decisões, possivelmente está mais próximo de realizar-se se tivermos em conta as novas tecnologias da comunicação e o seu rápido avanço relativamente à sua utilidade e eficácia.

Parece razoável pensar então que o desfasamento existente entre o modo actual de participação numa democracia e a moderna tecnologia da comunicação possa ser ajustada em prol da progressiva superação do que se pode considerar como “voto de conforto”.

 

María

O são desenvolvimento da democracia depende, sem dúvida, em grande medida, do grau de discernimento ético existente numa sociedade e da prática de valores tais como o respeito, a tolerância, a honestidade, a rectidão, que nunca perderam a sua alta hierarquia.

É difícil, senão impossível, conceber a possibilidade do perfeccionismo progressivo da democracia sem cidadãos com uma consciência mais ampla da vida. Faz já demasiado tempo que a sociedade vem a desenvolver-se no contexto de um sistema existente que canaliza a consciência humana para intenções, desejos e práticas egoístas e interesses materiais.

É teoricamente lógico supor que um ser humana com uma consciência mais vasta dos seus direitos e deveras na vida, tenha um poder de influencia nela mais adequado aos grandes ideias reguladores da paz, do bem-estar geral e da felicidade.

A importância da ética e dos valores é fundamental porque atravessam todos os campos de acção humana e determinam a sustentabilidade ou insustentabilidade de um sistema democrático são. A falta de ética e o valor do desvalor aprofundam o egoísmo fazendo com que se crie um obstáculo à possibilidade de desenvolvimento humano em toda a sua dimensão.

Uma pergunta seria: que aspectos do nosso sistema de vida teriam que mudar para que nos possamos sentir incentivados e mais confiantes no momento de pôr em prática o que há de bom na nossa natureza?

 

Marie Louise

Falando em termos próprios do campo da informática: se quisermos fazer correr um software de hoje em dia num sistema operativo velho, é muito provável que aquele não possa ser executado por este.

Num sistema em que primam como regras operativas básicas o egoísmo e as metas materiais, a prática da fraternidade ou a gratidão dificultam-se, assim como a conquista da liberdade e da igualdade.

Estas altas aspirações sempre serão luminárias no percurso do progresso do sistema de vida humano, mas também podemos dizer que não se realizará plenamente até que o homem não tome consciência da importância que tem a colocação nas suas acções do selo do amor como garantia espiritual.

Cabe então perguntar: é possível educar as novas gerações no amor fraternal e no amor à vida em si e a tudo o que esta contém?

 

Exposição premiada

O júri decidiu outorgar o primeiro prémio de estímulo à criatividade intelectual ao Denis.

O Capítulo Argentino premeia a exposição do Denis por entender que o seu contributo é enriquecedor para a abordagem de uma transformação da prática da democracia para um nível provavelmente mais dinâmico e eficaz. 

Fotos

Num breve evento realizado no Club Americano, o Presidente do Capítulo Argentino do Clube de Roma, Dr. Alfredo J.L. Davérède, fez a entrega do Prémio para a Criatividade Intelectual a Denis Israel Huaman Holguin, jovem irmão latino-americano do Peru.

Autoridades, membros e amigos do Capítulo Argentino partilharam um brinde com o Denis e a sua família. 

premio2Héctor Huaman Barja; Denis Huaman Holguin; Alfredo Davérède; Luzma Holguin Ñahui y Milagros.

premio3Héctor Huaman Barja; Denis Huaman Holguin; Silvia Zimmermann; Alfredo Davérède.

premio4Denis Huaman Holguin.

premio5Alfredo Davérède; Emb. Jorge Hugo Herrera Vegas.

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